segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Sou como a lua...



Desde pequena que gosto de ver a lua e as estrelas, sentada numa rocha, num banco de jardim, num pedaço de areia no Verão. De apontar o dedo e desenhar as constelações que o meu avô me ensinou... dizia que era romântico saber as constelações, para quando se namora ao luar. Porque elas sabem muitos dos meus segredos e porque eu acho que sou mesmo como a lua... tenho fases!


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...


Cecília Meireles

5 comentários:

SF disse...

Eu também sou como a lua... aliás, é o meu 'planeta regente'. Não sei se é bom, se é mau, se é assim-assim. Olha... é de luas!
Beijo

Huckleberry Friend disse...

A lua puxa e empurra marés, dá a volta ao mundo todos os meses, faz nascer bebés... alguém pode julgar-se acima da sua influência? Que reconfortante vê-la surgir enorme, vermelha, a um canto do horizonte! Que intrigante descobri-la, horas mais tarde, de um branco-azulado no topo do céu... e que elegante e generoso o gesto com que nos brinda, uma vez por mês, quando não vem e deixa caminho aberto ao breu e ao que nele nos atrevermos a fazer: desenhar constelações no céu, uma mão de dedo espetado, outra repousando sobre um ombro cúmplice.

Sofia disse...

Olá SF! Acho que é bom, acredita! Nasce-se e renasce-se sempre... e podemos sempre voltar a ser pequeninos.

Huck, somos assim, não somos?
E tu escreves sempre bonito e cheio de ternura! um beijo especial do tamanho da lua...

Huckleberry Friend disse...

Somos assim e a vida ensina-nos cada fase da lua. A busca da lua cheia e o assombro da lua nova tiram-nos do sério. Os minguantes e crescentes, quando muito fininhos, fazem-me pensar que Deus está a cortar as unhas. Se estão um bocadinho maiores, lembram-me o berço do hijo de la luna dos Mecano ou uma velha nursery rhyme inglesa em que uma vaca saltava por cima da Lua.

Como é que a inconstante Lua consegue estabelecer com os terráqueos uma relação tão estreita, não apenas baseada no seu poder e influência? Talvez por nos mostrar sempre a mesma face. Enquanto conquista a confiança, seduz-nos com o outro lado, the dark side of the moon (e aquele concerto de Roger Waters regado a Caipirão?...).

Muito deste dois que somos fizemo-lo ao luar, é verdade. Dou por mim (por nós) a cantar Abrunhosa, Elvis Costello, Pepeu Gomes, Mike Oldfield, Sting, Cat Stevens, Shivaree, Vince Guaraldi, Credence Clearwater Revival, The Police, Tony Bennett, Lunáticos, Sérgio Godinho, Audrey Hepburn, REM, Caetano Veloso, Manu Chao, Rosana e muitos outros. Mas estes chegam, por ora: desafio-te a descobrir as músicas da lua de cada um deles. Ou então oferece-me outras... um beijo!

Sofia disse...

Ofereço-te a Dança das Sete Luas... e essas vê se me guardas num CD (´Músicas da Lua'), para ouvirmos enquanto desenhamos as constelações.

um beijo
a tua ursa maior