segunda-feira, 15 de outubro de 2007

tivesse eu sido poeta

Il poeta e la Musa (Rodin)
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Tivesse eu sido poeta
queria ser recordado boémio, louco,
amante, embriagado de amor.

Tivesse eu sido poeta
queria ter cantado a tua beleza
comparada às ondas do mar
às rochas da praia
aos vales do campo.


Tivesse eu sido poeta
queria ter criado metáforas
do amor como libertação
da paixão como prisão
de ti como deusa.

Tivesse eu sido poeta
não queria estar aqui,
antes ter morrido de amores,
por amor a ti!
(M. Anaori)

7 comentários:

Pedro disse...

Tivesse eu sido poeta (não o seremos todos um pouco?) e seria difícil poemar uma paixão mais pungente. Deixo-te, por isso, esta sugestão musical. E este beijinho.

Sofia disse...

Quem é a Lola? já que a reina de tu casa soy yo!

beijinhos

Pedro disse...

Só te posso dizer que é parecida com a que está na fotografia do teu post.

madrinha disse...

Belo poema este. Quero mais.
Quem será esta M. Anaori, que eu não conheço? Ou conheço?
;)

madrinha disse...

Esqueci-me de dizer que o Rodin é um dos meus escultores de eleição... sempre que vou a Paris, passo horas e horas no Museu Rodin!
O poema merece a escultura, e vice-versa.

Pedro disse...

Também gosto muito de Rodin, embora as minhas parcas idas a Paris ainda não tenham proporcionado tal visita... Esta escultura lembrou-me o Paraíso de David Mourão-Ferreira, talvez sugerido pela omnipresença das esculturas de Francisco Simões nas capas dos livros deste escritor.

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.

Sofia disse...

Madrinha: não sei se conheces!!! Ainda não é muito falada no meio e escreve só para os amigos e para mim! Nem imaginas o que leutei para o pôr aqui! Mas vou ver o que é que ela andará a escrever e prometo pôr mais poemas! E ilustrarei também com outras obras de arte como esta. Também adoro Rodin! Gosto da escultura porque é a arte palpável, tocável e contornável... e mais 'ável' houvesse! beijinho

Pedro: o David sempre presente, na poesia, no fado e na vida! Pela beleza, pelo amor e para os amantes.
beijinhos e obrigada pelo poema
(p.s. também quero sumo de lua!)