segunda-feira, 1 de outubro de 2007

"Porque é que a felicidade só é verdadeira quando o é para sempre?"

Sugestão de leitura:
O Leitor (der Vorleser), de Bernard Schlink, é uma história de amor, que se constrói pela magia e pela paixão da leitura. O relacionamento que, a princípio, nos pode parecer apenas baseado no prazer sexual, revela-se num amor puro e duradouro. Apesar de pertencer a uma geração de escritores nascidos nos finais da II Guerra Mundial, Schlink relega para segundo plano questões como a reunificação da Alemanha ou as monstruosidades do Holocausto e revela-nos a pureza do amor entre um adolescente e a mulher adulta. A pureza desse amor traduz-se na leitura, em voz alta, de clássicos da literatura. Este momento inseria-se num ritual antecedido pelo acto sexual e por um banho. No meu entender a leitura surge associada à purificação dos amantes, após o pecado – a consumação de uma relação proibida.


"Contudo, fomos felizes! Por vezes, quando o final é doloroso, a recordação trai a felicidade. Por que é que a felicidade só é verdadeira quando o é para sempre? Por que é que só pode ter um final doloroso quando já era doloroso, ainda que não tivéssemos consciência disso, ainda que o ignorássemos? Mas uma dor inconsciente e ignorada é uma dor?"



p.s. Esta entrada é dedicada à Madalena que leu comigo este livro, na sua versão original - em alemão.

6 comentários:

Anónimo disse...

a felicidade pode não ser para sempre e ser felicidade. felicidade passageira, para os que seguem a máxima carpe diem... às vezes quem se preocupa em saber se a felicidade é para sempre esquece-se de gozar cada momento de felicidade!

Sofia disse...

Nem mais, minha amiga! O Sérgio Godinho canta que "a vida é feita de pequenos nadas" e eu entendo esses nadas como partes de um todo, uma felicidade possível. Andar à chuva, comer chocolate do tacho, um beijo fugidio... enfim, a vida faz-se caminhando...

ana vidal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

A felicidade são momentos, não um estado permanente. Isso só os tontos conseguem, não as pessoas lúcidas e normais! Por isso é tão importante aproveitar cada momento precioso desses, e respirar fundo até ao próximo...

beijo da madrinha

M. disse...

ora bolas sofia.deu-me pra ficar nostalgica.ja la vao uns aninhos..nota de redacção, devias dedicar o post tambem a professora rogelia,que nos pos a ler o livro,mesmo que em alemão tenha sido uma tarefa árdua.
quando acaba,quando ha o ponto final,o virar da folha,e se esse virar não foi suave,mas sim uma pagina rasgada,vai ser sempre uma história bonita com um senão.uma página rasgada.e é isso que a marcará das outras.


"Tristeza não tem fim
Felicidade, sim...
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar..."

Tom Jobim

Sofia disse...

A quem o dizes madrinha... aproveitar cada momento, como se fosse o último! Sabes que Antoine de Saint-Exupéry dizia que "Se queres compreender a palavra 'felicidade', é indespensável entendê-la como recompensa e não como fim"... Há sempre a esperança de melhores dias. Gosto dos momentos de "respirar fundo", são os da melancolia, de pensar na felicidade que se teve e de suspirar...ai ai...

Madalena: Acreditas que já lá vão cinco? Mas saudade é do livro e da nossa leitura, não dessas aulas! Mas obrigada por mais um comentário teu. Sempre bonito e todo em minúsculas, já sabemos! Quanto a nós que esse "vento sem parar" te continue a trazer para estas bandas!

beijinhos às duas