sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Medo

Medo,
quando tudo se parece perder
e nem o cais é de encontro.

Medo,
quando tudo escorre
por entre os dedos de uma mão cheia.

Medo,
quando tudo acaba
ainda antes de começar.

Medo,
quando tudo queima e arde
como folha de papel na lareira.

Medo,
do silêncio da voz
e da agitada consciência.

Medo,
quando tudo é nada
e nada parece ser o fim.


Medo que dá medo do medo que dá!




Nota: dedico esta música à Madrinha, que ajuda a escapulir ao medo que às vezes nos aperta o coração. Acho que gostas desta!

Aos outros marinheiros, espreitem a letra aqui, vale a pena.

5 comentários:

Huckleberry Friend disse...

Disseste que ias conseguir e conseguiste,mi reina de la isla. Por causa deste poema, fui buscar retalhos de uma coisa escrita no ano em que te conheci. Só tu para me fazeres pô-los cá fora. Tiras-me o medo.

Antes depois

Medo antes do embate
Casca antes do recheio
É o antes que receio

Antes é expectativa
Aperitivo, nervoso miudinho
Tiquetaquear de relógio mesquinho
Susto
É o passar das horas
Passadas sem que viva
Para ver o teu busto
Unhas roídas sem querer
Janela bloqueada a tremer
O medo dos distantes
É antes

Verde depois da chuva,
Azul depois de tão escuro,
É o depois que procuro.

Depois é recordar
Rescaldo revisão memória souvenir
Fim de narração
Parágrafo travessão
São campos verdes e brilhantes
Depois da chuva
É a sequela do antes
Cena do próximo episódio
A passa a seguir à uva
Olharmos para trás e rirmos os dois
É depois


19 de Dezembro de 1994 (revisto após 13 anos)

quequedenoz disse...

Porquê o medo?, esse medo que é bloqueador de muito, de quase tudo o que queremos e que tantas vezes pensamos que não conseguimos, mas afinal acreditamos que somos muito mais que um querer, somos existir e queremos permanecer e insistimos em querer ser felizes, afinal o medo empurra-nos e ajuda-nos tanto a concretizar os nossos sonhos.
Deixo-te aqui este texto que muito me diz:
" Pudesse eu não ter laços,
nem limites
ó vida de mil faces
transbordantes
por poder responder aos
teus convites
suspensos na surpresa
dos instantes!"
(Sohpia de Mello Breyner)

madrinha disse...

Querida afilhada!
Gostei de tudo, mesmo: da canção (claro!), da imagem (bem escolhida!), das tuas palavras (contidas e densas). E gostei, claro, da dedicatória!!!
Mas queres saber o que mais gostei, de tudo? Foi de saber que já venceste o medo - qualquer que ele fosse - ou não serias capaz de falar dele assim. Isso, para mim, é o melhor de tudo!

O poema do Pedro responde-te muito melhor do que eu o poderia fazer. É lindo e cheio de significado. E a citação da grande Sophia (uma quadra que eu adoro, e só tem um "por" em vez de um "para")também ajuda a afastar todos os medos.

Grande beijo
;)

Sofia disse...

Pedro obrigada por partilhares o teu poema aqui, tu que nessas coisas tens mais medo do que eu, se bem que noutras és bem mais herói... o meu! Gostei da ideia do tiquetaquear, a que chamo sempre borboletas na barriga e da ideia de, depois, rirmos os dois.

Quequedenoz: obrigada pela tua sempre atenta partilha. Adoro Sophia, costumo dizer que a sua poesia é branca, é cal e que isso é para mim a paz, oposta ao medo que nos atormenta, mas que nos ensina também!

Madrinha: este tinha de ser para ti, claro. Agora o medo já passou. Sabes, ele é como uma nuvem que paira no nosso céu e que nem sempre somos capazes de soprar sozinhos... precisamos da força de mais amigos... agora o céu está mais azul... nesse sentido. Certamente, haverá mais nuvens, mas há também a certeza de companhia, mesmo que venha a chuva e que venham os trovões... não é? Quanto à música, tinha de ser esta, mas só para ouvir...

beijinhos aos três

Anónimo disse...

esta música é muita boa!!!!!!!bjinhs ana knapic