quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

É a beleza do simples...


Saio pela manhã ainda enevoada, faço o meu caminho habitual, como se pairasse sobre o mundo sem realmente existir, sem ver, sem sentir e, no ar, passam bolas de sabão nascidas do sopro de uma criança... é a beleza do simples. Já no metro, perdida entre atropelos matinais de quem não ouve o mundo, um livro e um poema sobre bolas de sabão... é o prazer de uma coincidência.

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.
(Alberto Caeiro)

4 comentários:

Sammia disse...

Amando as coisas simples de todos os dias foi a forma de melhor me descobrir e definir. Só assim você sabe sobre gostos e gestos que só você tem, peculiares mesmo.

E que bom que voltaste amiga, e com um bom poema de um dos heterônimos que eu mais gosto: Caieiro.
Beijinhos

Sofia disse...

Bonito Sammia, a maneira como definiste o simples e o próprio, aqilo que é só nosso! É ão bom termos coisas só nossas, não é?

Pessoa anda sempre a saltitar com os seus versos na minha imaginação...

beijinhos

Huckleberry Friend disse...

É bom quando os dias e as horas nos trazem coincidências, surpresas, momentos para dizer um "olha!" - seja dirigido a alguém ou não. Beijinhos para ti, a voar como bolas de sabão!

Sofia disse...

Adoro coincidências e sorrisos de coincidências...

beijinhos