segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

'Tem sangue eterno e asa ritmada'

Acabei de receber um presente que andava há uns meses a namorar... e quando se namora muito, quando se quer muito, as coisas acontecem. Apareceu bem embrulhadinho e os livros, quando vêm embrulhados, são uma preciosidade. Mas que se rasgue o papel depressa e que se puxe de lá de dentro essa surpresa... e eis que era ela, a Antologia Poética de Cecília Meireles.
Inaugura assim...

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou se desfaço,
- Não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

2 comentários:

Anónimo disse...

Sofia, só hoje te redescobri aqui na blogosfera... sempre que me lembro de ti, lembro a poesia da Cecília... e lembro aquele poema que um dia nos escrevemos: a anatomia do olho? Lembras-te? Foi há tanto tempo que quase não dá para lembrar, mas eu lembro, sobretudo porque nunca te esqueci!

um beijo enorme de quem tu sabes

Sofia disse...

Bem, com esse comentário afastaste os meus comentadores... Tenho andado muito atarefada e com pouco tempo para aqui passar, mas já me tinham avisado desta tua mensagem... só deixo uma pergunta: Dez anos depois ainda não tens coragem para dizeres quem eras?

beijinhos e esperanças da tua revelação