
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Cantinho da biblioteca (I)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Micronarrativa (VI)
Fica ancorado em mim! Solta o teu corpo e desce ao cais do desejo, onde o limite é o nada. Desenha com teus dedos em meu corpo o mapa dos nossos sentidos e deixa conhecer-nos, percorrer-nos como se fossemos país sem fronteiras, mar de infinito horizonte. Revela-me o segredo deste amor, onde a pátria é um só corpo e os teus olhos verdes o alto mar.
(Kátia Guerreiro – Ancorado em Mim - Poema de Ana Vidal)
Foste o mar e o veleiro
muito mais que o mundo inteiro
Ficaste ancorado em mim
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Cozinhar no caldeirão...

É difícil explicar a alegria que têm as nossas tardes ao fogão e o fim delas a enfrascar tudo aquilo que saiu dos caldeirões. Estes presentes, mexidos com a varinha de condão, levam muitos pozinhos de perlimpimpim, muitos ingredientes secretos, recolhidos no mais secreto bosque.
Sou, certamente, candidata ao prémio de maior aldrabona de receitas, devo ter saído à minha bisavó! As receitas do livro dela nunca saem bem a ninguém. Diz a minha avó que ela nunca fazia nada como lá estava escrito. A verdade é que cozinhava maravilhosamente e todos temos muita pena de que ninguém tenha tido tempo de a espiar e reescrever as receitas. A mim nem sempre me sai tudo bem, há mesmo um dia em que sai tudo mal! Mas os convidados não são esquisitos e, se eu digo que é bolo escangalhado, uma receita nova, ninguém vai duvidar e muito menos supor que não consegui desenformar o bolo direito!
A verdade é que mudo sempre qualquer coisinha, às vezes não mudo é a coisa certa, mas com as experiências vou lá! Não resisto a inovar. Ainda me lembro de uns cogumelos recheados de queijo azul que da receita acabaram por ter só os cogumelos, essa nem eu consigo repetir!
A 'nossa' cozinha é mais ou menos como um laboratório de experiências científicas, onde por vezes há fogo, explosões e cadeirões fumegantes. Não proibimos a entrada nem de espectadores, nem de rapadores de tachos. É essa companhia que faz as alegrias e, muitas vezes, as distrações... mas tudo se supera e tudo se recupera…
Aqui fica a receita da Marmelada de Limão lemon curd, tirada da minha Bíblia da Culinária - O Pantagruel, exemplar cheio história, desde o início, e de dedadas várias, marca das aventuras culinárias que ao longo dos anos vamos passando e das danças que vamos dançando, porque a banda sonora também é pó mágico.
Agora que a receita está dada, vamos lá ver quem se atreve a ir para o lume! Ficam é a saber que nem eu sabia que mudava tantas coisas! É esta a receita que sigo, mas não faço nada assim… segredos!
INGREDIENTES:
1 kg de açúcar
125 g manteiga sem sal
8 ovos
6 limões
PREPARAÇÃO: Põe-se o açúcar num tacho e ralam-se em cima as cascas dos limões, juntando-lhes o sumo dos mesmos e a manteiga. Leva-se tudo ao lume a ferver durante um bocado mexendo sempre. Tira-se deitam-se na mistura os ovos, previamente bem batidos e volta a lume muito, muito, muito brando para fervinhar durante 5 minutos, mexendo sempre com a colher de pau. Guarda-se em boiões.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
A história de Lily braun
Como num romance
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
Circo místico à lareira

És de afectos?

Há pouco tempo, a X. perguntava-me:
- És de afectos?
- De afectos como?
- De beijos e abraços?
- Sou, pois! E muito! De mimos, beijos e abraços. De deitar ao colo, de dormir ao colo, de pedir colinho e de dar colinho e fazer miminho! De chuchar no dedo quando não consigo dormir, de fazer cafuné nos cabelos, de apertar bochechas, mordiscar orelhas, pentear os cabelos desalinhados, desenhar sorrisos, dar a mão, de deitar o ouvido na coluna do coração e ficar a ouvir o bate-bate, de cantar baixinho, de escrever bonito nos guardanapos do pequeno-almoço só para ver sorrisos. De comprar flores, de gostar de flores e do azul do céu e do pôr-do-sol, das estrelas à noite e do luar no Verão... Se sou de afectos? Então não sou?
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Um presente doce...

(Food glorious food)
Micronarrativas (V)
(recitado por Alejandro Sanz)
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía;
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.
Pablo Neruda in Cien Sonetos de Amor
De que cor são as nuvens?

- Anda cá Griet.
Poisei o trapo no parapeito e dirigi-me para junto dele.
- Espreita pela janela.
Espreitei. Estava um dia ventoso, com nuvens que desapareciam por trás da torre da Igreja Nova.
- De que cor são aquelas nuvens?
- São brancas, senhor.
- São? - perguntou ele, erguendo ligeiramente as sobrancelhas.
Deitei-lhes mais uma olhadela.
- E cinzentas. Talvez vá nevar.
- Vá lá Griet, consegues fazer melhor do que isso. Pensa nos teus legumes.
- Nos meus legumes, senhor?
Ele moveu a cabeça ligeiramente. Estava outra vez a irritá-lo. O meu maxilar contraiu-se.
- Pensa em como separaste os brancos. Os nabos e as cebolas. São do mesmo branco?
De súbito compreendi.
- Não. O nabo tem verde a cebola amarelo.
- Exactamente. Então que cores vês nas nuvens?
- Há azul nelas - respondi depois de as examinar durante alguns minutos. E... amarelo também. E algum verde! - Estava tão entusiasmada que até apontei. Tinha olhado para nuvens durante toda a vida mas era como se as visse pela primeira vez naquele momento.
Ele sorriu.
- Hás-de descobrir que há pouco branco puro nas nuvens, embora as pessoas digam que são brancas.
Tracy Chevalier, in Rapariga com Brinco de Pérola
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Bom fim-de-semana
Sonata fácil de dançar...
(Primeiro andamento)
(Segundo andamento)
(terceiro andamento)
Ontem, fizemos de uma sala de estar um salão de baile! O codornizes voltou a sentar-se ao piano, primeiro a medo, depois como um artista, e eu aceitei um desafio:
- Dance comigo! Dance!
E dancei pois. Quatro bailarinos... eu e os três porquinhos. Uma festa! Ouvir o ritmo, ensinar o passo, acertá-lo, esquecendo os bons palmos de altura que nos afastavam, fazer piruetas, rodopiar, saltitar e improvisar muito, que nestas sonatas tudo se pode menos pisar! E eles sabiam isso! E lá estivemos mais de uma hora, de um lado para o outro, trocando de par, inovando a dança, acabando muitas vezes no chão, entre risos e cócegas. Descanso só no meu colo onde rodopiávamos mais do que nunca! E no fim, dançar abraçadinhos, ser chamada de 'querida' e cair em delícias com o conselho final:
- Se fechar os olhos, sabe ainda melhor!
Pois sabe! Fechámos os olhos e continuámos o baile...
Por fim, troquei um dos dançarinos pelo pianista e aí é que a valsa se dançou!
Ao moreno no fim do mundo...
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Onde a dor e a saudade
Contam coisas da cidade...
No rancho fundo
De olhar triste e profundo
Um moreno conta as "mágua"
Tendo os olhos rasos d'água
Pobre moreno
Que de tarde no sereno
Espera a lua no terreiro
Tendo o cigarro por companheiro
Sem um aceno
Ele pega da viola
E a lua por esmola
Vem pro quintal desse moreno
No rancho fundo
Bem pra lá do fim do mundo
Nunca mais houve alegria
Nem de noite nem de dia
Os arvoredos
Já não contam mais segredos
E a última palmeira
Ja na cordilheira
Os passarinhos
Internaram-se nos ninhos
De tão triste esta tristeza
Enche de trevas a natureza
Nota: Esta música é para o D. - o moreno que está lá sozinho, no fim do mundo, chorando de saudade da sua morena. E para a morena que está cá, com a família e os amigos, mas que mesmo assim chora de saudade do moreno!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Provérbios em Janeiro...
Comer laranjas em Janeiro é dar que fazer ao coveiro. Comer só tangerinas e beber só suminho acabado de espremer!
Em Janeiro sobe ao outeiro; se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires nevar, põe-te a cantar. Há dois anos nevou e que bem que cantámos!
Em Janeiro, cada Ovelha com seu Cordeiro. Terei de mudar de apelido?
Em Janeiro, um Porco ao sol e outro ao fumeiro. Sandy, para quando uma matança?
Janeiro fora, cresce uma hora. Os dias começam a crescer... até à semana em que até sexta-feira tem pôr-do-sol!
Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso. Se assim for, por mim, pode até nevar...
Janeiro molhado, se não cria o pão, cria o gado. Não gosto de chuva... mas um bom bife...
Luar de Janeiro não tem parceiro; mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto. Sim, era 31 de Julho, mas já passava da meia noite!
Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro. Como os primeiros, diria!
O mês de Agosto será gaiteiro, se for bonito o 1º de Janeiro. Não foi bonito, foi lindo! Gaiteiro, gosto, desde que não seja velho!
Pintainho de Janeiro vai com a mãe ao poleiro. Pinto não, codorniz!
Seda em Janeiro, ou fantasia ou falta de dinheiro. Depois do Natal, só compras na loja dos trezentos.
Vinho verde em Janeiro é mortalha no telheiro. Nada disso, em Janeiro só champanhe!
Sapato branco em Janeiro é sinal de pouco dinheiro. E o que faço às bailarinas brancas que comprei nos saldos?
Micronarrativa (IV)

Saudade de um beijo e do desejo de um beijo. Saudades de ti e do teu corpo envolto no meu. Braços grandes e quentes, concha onde durmo, cabelos enredados nos meus, compridos de sereia azul, filha da maresia e da manhã quando acordas ao meu lado. Doce abraço, o teu, no meu, anjo caído em brancos lençóis onde o amor acorda e sussurra:
- Saudade.
(Mafalda Arnauth - Talvez se chame saudade)
Este doce recordar
Que amargamente me invade
Talvez que não tenha nome
Talvez se chame saudade.
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
(...)
in Tabacaria, Álvaro de Campos
Desencontros e reencontros...
A vida vai correndo ao sabor das marés e das tempestades. Crescemos, engordamos e emagrecemos ou ficamos na mesma. Em cada dia, somos nós próprios e um novo nós que se renova. Desejos e sonhos desenham-se na pele e nas artérias! Há quem passe por nós e nos faça sorrir muitas tardes, muitas manhãs, muitas vezes, entre dois olhares cúmplices, nunca verdadeiramente explicados. Um dia, na encruzilhada, os olhares separam-se! Cada um segue o seu espaço e juntos percorrem o mesmo tempo! O mundo é pequeno, uma varanda à beira-mar... por isso, a meio caminho, lá nos encontramos outra vez - que bons são os reencontros!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Se ele canta, eu danço!
Não me desiludas, Aznavoice... c'est formidable!

País de cigarro livre
Ontem, enquanto pensava ir ao Procópio, só me vinha uma ideia à cabeça: será que lá se pode fumar? Confesso que não imaginava aquele lugar sem as chaminés por cima dos habitués... Na verdade, acho que até perdia um pouco o encanto e o ambiente característico dos charutos, cigarrilhas, cigarros e cachimbos! E não é que se pode mesmo! Há coisas que ainda bem que não mudam... País de cigarro livre, já dizia o Garrett. Não me lembra que lord Byron celebrasse nunca o prazer de fumar a bordo. É notável esquecimento no poeta mais embarcadiço, mais marujo que ainda houve, e que até cantou o enjoo, a mais prosaica e nauseante das misérias da vida! Pois num dia destes, sentir na face e nos cabelos a brisa refrigerante que passou por cima da água, enquanto se aspiram molemente as narcóticas exalações de um bom cigarro da Havana, é uma das poucas coisas sinceramente boas que há neste mundo.
Fumemos!
Aqui está um campino fumando também gravemente o seu cigarro de papel, que me vai emprestar lume.
Bloody Mary no Procópio...

O Procópio é um dos meus bares preferidos em Lisboa. Muitas vezes, ao fim da tarde, os jantares são antecedidos por um par de horas ali passadas a beber Bloody Marys! É quase como chegar a casa de um amigo para uma conversa ao pôr-do-sol.O ambiente acolhedor é espaço de tertúlia, mas também de tête à tête. Foi lá que ontem fui acabar a minha tarde. Já não ia ao Procópio há algum tempo, mas tenho sempre a sensação que nunca deixei de lá ir – está sempre tudo na mesma. O piano, as estantes e prateleiras com esculturas, pequenas estátuas e a música maravilhosa! É um sítio onde a conversa não tem prazo para acabar, muitas vezes só somos derrotados pelo João Pestana ou pelo sino da igreja que chama para jantar. Fica a certeza de que volto em breve.
Nota: O Procópio faz-me lembrar uma amiga com quem vou tomar cafés de quinze minutos e que se prolongam por horas. Qualquer dia vamos lá as duas!
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Saudades...
Fotografia encontrada aqui.Que nunca caiam as pontes...
Eu tenho a terra,
Tu tens as mãos,
Tens o desejo
Que bata em nós um coração.
E eu, e tu,
Perdidos e sós,
Amantes distantes,
Que nunca caiam as pontes entre nós.
Cais das Codornizes (IX)
Um último Cais das Codornizes de Natal - We three kings. No cais canta Ella Fitzgerald e no codornizes o coro da Catedral de Winchester.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Os Reis Magos chegaram a Belém...

Seguiram a estrela mais brilhante e chegaram ao presépio... já os pus mais perto das palhinhas do menino Jesus!
Nota: Dedico esta entrada às minhas irmãs, porque sabe bem passear com elas e recordar outras tantas tardes como estas!
Presente do Dia de Reis
sábado, 5 de janeiro de 2008
Cais das Codornizes (VIII)
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
A menina dança?
A minha sala e a minha cozinha são os meus salões de baile favoritos, onde a pista está sempre aberta até altas horas da madrugada e a música varia conforme os amores e os humores! Esta não deixa de me contaminar e foi uma das primeiras que ouvi, mal começou 2008, acompanhada de uma boa ginjinha caseira, numa pista à beira-mar. É só ganhar balanço, que a dança nasce... 'A dança' - Matisse
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Contamíname, pero no con el humo
que asfixia el aire
ven, pero sí con tus ojos y con tus bailes
ven, pero no con la rabia
en los malos sueños
ven, pero sí con los labios
que anuncian besos.
Contamíname, mézclate conmigo
que bajo mi rama tendrás abrigo,
contamíname, mézclate conmigo
que bajo mi rama tendrás abrigo.
Suddenly I See...
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
No quites nunca esa canción...

Hay un disco que me excita
habla de una relación
el amor entre un hombre
y una máquina vapor.
Siempre lo estoy escuchando
es mi única canción
si alguien entra a cambiarlo
lo echo de mi habitación.
No, no, no, no quites nunca esa canción
no, no, no, no seas antiguo y déjate llevar
todo es posible en el amor.
Nota: Miguel, esta dava um belo cantinho do piroso...





