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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mi abanico

Já não saio de casa sem ele..Há tantos modos de se servir de um leque que se pode distinguir, logo à primeira vista, uma princesa de uma condessa, uma marquesa, de uma routurière. Aliás, uma dama sem leque é como um nobre sem espada. (Madame de Stäel)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Verão

Amanhã chega o Verão. Os dias param de crescer, mas o sol ainda continua a cair tarde. Gosto desta época do ano, dos meses de Maio, Junho e Julho. De sair de casa cedo (nem pareço eu!), passear com a brisa da manhã, ir à praia, enterrar os pés na areia quente, correr para os mergulhos nas ondas frias e passear à beira-mar, entre os meus pensamentos perdidos.

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...
Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...


(Alberto caeiro - Num dia de Verão)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Frase do dia


"Um radical é um homem com os pés firmemente plantados no ar"

Franklin Roosevelt

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia de Pessoa

Fernando Pessoa
(13 de Junho de 1888 - 30 de Novembro 1935)


Aprendi a sabê-lo quando ainda era pequenina e juntava as letras às duas de cada vez - Mar Portuguez. Gostava das quadras populares, porque eram fáceis de decorar. Achava-o um louco complicado que se desdizia e dizia num só verso, numa só estrofe. Hoje, leio por paixão e entendimento dos versos que sei de cor, das palavras que me enchem quando estou mais avoada, perdida em confabulações.




Tabacaria, de Álvaro de Campos, por João Villaret
(roubado
aqui.)


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Egoísmos

Às vezes, acho que sou assim...

... mas não gosto...

Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos. (Oscar Wilde)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Serias tu?

(Encontrada aqui)

À S., doze anos depois
Encontrei o teu olhar vagabundo por detrás do castanho luzidio dos teus olhos, aqueles que ainda lembro dos nossos anos de meninice. Já nesses dias trazias o olhar adulto, portal de um coração ainda menino. A tua pele escura e os modos em tudo diferentes dos nossos, mais bruscos, mais revoltos, pouco habituados às meiguices da infância que sabíamos não teres tido, traziam as marcas de uma história em que o 'final feliz' não parecia para breve. Eras a heroína de uma vida que cedo virias a perder, ao perderes-te pelos caminhos que não te souberam ensinar.

Abandonada no berço, criada entre tantas iguais a ti, menos bonitas, bem recordo, mas iguais na revolta, na mágoa e na vontade de largar tudo e fugir. Assim fizeste e logo te perdemos o rasto. Ainda te viram, anos mais tarde, de criança ao colo, ainda menina como nós, a pedir à porta da igreja. Quando cheguei, já não estavas lá. Vives fugitiva entre mundos, escondida dos que te querem apanhar e nada te souberam dar quando pediste. Vida cruel a tua, menina abandonada à sorte de quem te quisesse adoptar, pegar ao colo e tomar-te como filha. Mas tinhas o rosto escuro de mais, a pele quase negra e um jeito de cigana que dizias ser a tua má sorte.

Abandonou-te também a vida e largou-te na rua, a sustentar com o próprio corpo ainda menino, tão pequeno como o nosso, uma vida vulgar e infeliz.

Hoje, não sei onde vives, o que é feito de ti... mas, no outro dia, naquela rua fria, naquela sombra do outro lado da rua, quase tenho a certeza que eras tu. Não trazias mais o sorriso nem o brilho do olhar. Apenas esperavas, com ar exausto, que alguém te encontrasse, que alguém te levasse e te pagasse mais umas horas de vida.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sofia doente!

(Anita doente)


Estive dois dias de cama, com febre e uma constipação daquelas que dá vontade de arrancar o nariz e seguir caminho.

No primeiro diam, ainda me aguentei na solidão da minha casa, tentando recorrer à companhia de uma televisão que, mesmo tendo trezentos canais, não passa nada de interessante, uma internet que teimou em estar em actualizações logo naquele dia e uma Mulher certa da qual não conseguia ler mais de duas linhas seguidas, quase parecia estar a sofrer de lagrimite aguda! Resolvi passar o dia ao telefone, a matar saudades desta e deste, marcando cafés e almoços, ou apenas matando saudades das vozes amigas. A verdade é que sou uma má doente: fiz greve de fome e amuei no sofá, esperando que 'alguém' (se não fosses tu, o que seria de mim?) me trouxesse morangos e cerejas, para satisfazer os meus apetites!

No dia dois já não aguentei. Fui para casa da minha Mãe. Tinha saudades do tratamento VIP dos dias em que ficava doente, quando era pequenina. Escolhia a ementa, encomendava tostas mistas, chás diversos... todo o serviço sem sair do sofá! Escravizava as minhas pequenas pestes! E assim fiz. Aterrei lá pela manhã e só saí depois do jantar. Vi uns filmes, dormi umas sestas... Quando cheguei, já havia o jornal do dia, pão fresco e aquelas coisas que a minha Mãe tem sempre em casa e que eu adoro! Sobretudo, tinha sempre com quem conversar e, melhor do que tudo, quem me fosse buscar a 'qualquer coisa' que me apetecia a cada instante! (sou horrível!) Estava doente, precisava de mimos!

Era sempre esta alegria quando alguma das 'princesas' ficava doente! As outras instalavam-se ao lado, a ver se também lhes calhava uma gripe e uma boa dose de mimos, nos dias seguintes. Nesse dia não púnhamos a mesa, não ajudávamos nada... era dia de descanso, era o nosso dia. E que bem me soube aquela dose reforçada de mimos! Claro que há coisas que não mudam nunca, não me livrei de ouvir:

- Sais sempre de casa com o cabelo molhado.
- Andas sempre descalça pela casa.
- Não precisas de andar à chuva.
- Não sei para que compras tantos casacos, deves achar que estamos no Verão!


O de sempre, o que sei de cor, mas que ainda hoje me faz rir e que, às vezes, me traz tanta saudade dos dias em que ficava doente e podia passar o dia na cama dos meus pais a ler os meus livros, a comer as minhas bolachas preferidas e a jogar ao 'peixinho.' Foi à procura desses dias felizes, num passado que me parece tão distante, que ontem saí de casa... e acreditem - encontrei!

O engraçado é que a companheira da minha gripe de ontem está hoje engripada e é a princesa lá de casa, com os mimos todos para ela... não crescemos nunca! Ainda bem!

sábado, 31 de maio de 2008

Poema de Sábado

(escultura da maternidade)


LETTERA AMOROSA

Respiro o teu corpo
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, 30 de maio de 2008

...como sou...


sou como sou e nada sou
inteiro, partido
repartido
um rabisco, um rascunho
perdido
entre a tela e o pincel

Eu queria ir...

... e ainda não perdi a esperança!

terça-feira, 27 de maio de 2008

As artes do poema


UM POEMA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...

Miguel Torga, Diário XIII

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Hasta luego!

(Fotografia de PC)
Fujo para o paraíso perdido, uma casa no campo, sonhando com longas horas de passeio pelos montes e vales, piqueniques na barragem, tardes de leitura debaixo de qualquer uma árvore, ou mesmo deitada no tronco que parece ter-se dobrado à medida do nosso corpo (será que ainda cabemos?). E os fins-de-tarde em cima do telhado, à espera que o sol se ponha para lá do pomar de peras, ao longe, muito longe, naquela linha imaginária! Para recolher à braseira e ficar a ver os filmes que alugámos no clube de vídeo da vila, para ficar a ler, para conversar com quem bate à porta, para dormir a sesta e repousar o corpo dos ares do campo ou aceitar um convite para jantar.

O acordar com o galo, com o sino da igreja, com a luz que teima em espreitar por entre as portadas que já não fecham bem, por umas janelas que deixam passar o frio da manhã! Os cães a saltar quando chegamos ao pátio, quando queremos é estar à mesa de um pequeno-almoço já preparado, o sumo da laranja apanhada no pátio, o pão que alguém nos deixou na porta e um primeiro banho de sol matinal ainda, de pijama. Está frio, às vezes chove e ficamos na lareira ainda apagada, da preguiça de ir buscar lenha, de ir acendê-la, mas onde já toca um disco de vinil, que nos obriga a levantar tantas vezes, para virar, para trocar! Enrolada numa manta da Serra da Estrela, daquelas que pica na pele, como se ainda fôssemos meninas e o fizessem as saias de fazenda! Deixo-me quase sempre adormecer, perder no periclitar da lareira, na preguiça de deixar o disco parado sem que ninguém o vá girar.

Sair de casa, só para ir à praça, à mecearia, buscar a fruta que não temos, os legumes que queremos saltear numa frigideira antiga, que pega sempre, para comermos no alpendre, sem pressas. No talho, a melhor carne, que servirá de jantar, talvez um churrasco, para quem quiser aparecer e sentar-se a uma mesa onde há sempre lugar para mais um, dois, os que vierem. E as noites de ginginha e cartadas na biblioteca, a meia-luz, onde acabamos muitas vezes zangados, entre tantas batotas, como se ainda fossemos meninos de escola e roubássemos dinheiro no Monopólio!

Esperar que a noite acabe e deixar que o amanhã chegue mais tarde, ficar numa ronha de pequeno-almoço na cama, visitas no quarto no alto da 'torre' para dois dedos de conversa, preguiçando num meio-dia ainda não levantado! E como demoram essas manhãs, como parecem eternas.

As tardes passam devagar, como se os ponteiros do relógio não andassem, nos saltos à praia, às vezes em demorados passeios à beira-mar, quase sempre terminados num fim de tarde de marisco e no voltar a casa com a certeza de que a felicidade é esta sensação e que amanhã ainda andará por aí!

Hoje é dia de partida. Malas feitas, é só esperar a hora de saída, o salto para o carro entre desejos de ainda ver o pôr-do-sol à beira-mar.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Desejos de azul (ficção)

Desejos de nada, de maresia e solidão.

Desejos de não-beijos...

- Para ali, para ali, não quero estar aqui!

Desejos de partir, saio sem fazer barulho, sem se ver, sem deixar rasto.

Páro de ler, de escrever, de analisar a vida a mílimetro, não dou um passo sem a sombra dos teus.
Ai! quero sair, esconder-me, para largar num voo de rapina e cair no mar, a boiar numa jangada sem norte!

Desejos de voltar para ainda te amar.
Nota: escrito à beira-mar em Novembro 2007.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Um presente



Porque amanhã é o meu dia número um nas aulas de ginástica e porque estou solidária com o Tio Jacinto, que já deve ir no seu dia 15, no mínimo... um vídeo para nos dar coragem!

Dia da espiga


Este ano deixei passar a data! Calhou no feriado e nem dei por ela. Costumo sair de casa pela manhã, numa quinta-feira de Maio, e encontrar as vendedoras dos raminhos da espiga nas saídas do metro. Nesse dia, compro um sem-número de ramos para distribuir pela família e pelos amigos. Não para festejar o dia religioso, a quinta-feira da Ascenção, mas para seguir a tradição pagã.

Manda a tradição que, de manhã, se vá para o campo apanhar as flores do ramo - a espiga, a folha de oliveira, o malmequer branco, o amarelo e uma papoila. Hoje, porém, já muitos compram o ramo completo, pela falta de tempo para os passeios matinais pelo campo!

Cada elemento simboliza um desejo:
- A espiga é para que haja pão, ou seja, que nunca falte comida em cada casa;
- O ramo de oliveira para que haja paz (a pomba trazia no bico o ramo de oliveira) e para que nunca falte luz (antigamente as lamparinas eram alimentadas com azeite);
- As flores, para que haja alegria, simbolizada pela cor. O malmequer acredita-se que traz o ouro e a prata, a papoila o amor.

Depois, é só atar o ramo e guardá-lo em casa até ao próximo Dia da Espiga.

Eu ainda tenho o do ano passado, guardado na cozinha, bem à vista de todos. Este ano, deixei passar o dia. Mas ontem, alguém de olhar mais atento reparou que à porta de minha casa, no 'meu campo', havia todas as flores do ramo, menos a da oliveira. Alguém tem para a troca?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Contagem decrescente... 3

Matisse, Janela aberta

Contagem decrescente para mais quatro dias de férias!

Mal posso esperar pela hora de saída, pelo fechar da porta da Biblioteca, na quarta-feira. De rodar a chave e de a guardar, de dizer adeus aos livros que ficarão, por certo, a conversar! Hoje, que ando em desarrumações de umas prateleiras, quero deixá-los no sítio, na minha hora de partir, para que não possam fugir. Para estes dias pouco mais me apetece do que poesias, músicas e um sol que quase parece de Junho, só faltam os jacarandás!

De janela aberta aos murmúrios da cidade e à leve brisa que ainda corre, deixo-me levar pelas palavras que guardo, esperando o depois de amanhã! Hoje, uma poesia que anda aqui a navegar na minha cabeça, de um lado para o outro, passeando entre o ser alegre e o ser triste!

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!


Mario Quintana - A Cor do Invisível

quinta-feira, 24 de abril de 2008

The day after

Gilbert Becaúd- L'important c'est la rose

Segundo a tradição catalã, no dia 23 de Abril, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa encarnada de São Jorge (Saint Jordi) e recebem em troca um livro. Eu e a minha costela espanhola seguimos a tradição. Recebemos uma flor e oferecemos um livro. A propósito, lembrei-me ainda de um poema de García Lorca que tenho num quadro em casa, por baixo de uma rosa seca que guardo há quase dez anos:

¡Ave rosas, estrellas solemnes!
Rosas, rosas, joyas vivas de infinito;
bocas, senos y almas vagas perfumadas;
llantos, ¡besos!, granos, polen de la luna;
dulces lotos de las almas estancadas;
¡ave rosas, estrellas solemnes!

(...)
Flor eterna. Conjuro al suspiro.
Flor grandiosa, divina, enervante,
flor de fauno y de virgen cristiana,
flor de Venus furiosa y tonante,
flor mariana celeste y sedante,
flor que es vida y azul fontana
del amor juvenil y arrogante
que en su cáliz sus ansias aclara.

¡Qué sería la vida sin rosas!
Una senda sin ritmo ni sangre,
un abismo sin noche ni día.
Ellas prestan al alma sus alas,
que sin ellas el alma moría,
sin estrellas, sin fe, sin las claras
ilusiones que el alma quería.

(...)

Nota: Ler todo
aqui.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Dia da terra

Torga: "planta transmontana, urze campestre, cor de vinho, com as raízes muito agarradas e duras, metidas entre as rochas. Assim como eu sou duro e tenho raízes em rochas duras, rígidas, Miguel Torga é um nome ibérico, característico da nossa península(...)"




Hoje é Dia da Terra e tomo-o apenas como pretexto para aqui pôr o poema Terra de Miguel Torga, um dos meus poetas de eleição. Cantor do mundo rural, da terra portuguesa (Hoje sei apenas gostar / duma nesga de terra / debruada de mar - in Pátria) e das forças telúricas, poeta das cores da terra e da realidade quente do interior português. Caminhante numa busca incessante da intimidade com os elementos primordiais e defensor do que chamou 'espírito da terra'.

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O meu poeta de hoje


Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.

Nuno Júdice

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Adeus ao medo!

Aqui há uns tempos a Ana escreveu esta frase num comentário do Cais e hoje lembrei-me dela, porque assenta que nem uma luva nos meus pensamentos - quando acaba o medo e se acende a luz:

"Todos os dragões da nossa vida são, talvez, princesas que esperam ver-nos um dia belos e corajosos. Todas as coisas aterradoras não são mais, talvez, do que coisas indefesas que esperam que as socorramos."
(Rilke)



(Ana Moura - Aconteceu)


Nota: A música é a quem me apetece ouvir, a propósito de um sorriso matinal, na surpresa de uma voz.

Bom fim-de-semana a todos, volto segunda, que o campo está à minha espera!