Há livros que nos marcam. Ficam as histórias de amor e de ódio, de aventuras, de sonhos, e as paisagens que se desenham na nossa imaginação e que à vezes nos assaltam. Há frases que nos acompanham para sempre, sentimentos, às vezes uma saudade imensa depois da morte, da partida após a última página. Por vezes, há um voltar atrás, um reler e reconhecer nas páginas já lidas as histórias de outrora, mas fazendo renascer em novidade os pormenores que nos escaparam. Às vezes, deixo os livros meses sem fim em cima da mesa de cabeceira, um misto de preguiça em devolvê-los ao lugar na estante e de desejo de continuar a lê-los. Outras vezes, recupero o livro e trago-o de volta ao meu mundo, para relê-lo na diagonal, as páginas direitas de que mais gosto, as da esquerda que prefiro e aquele parágrafo no meio. E que vontade dá de me apoderar de todas as palavras e frases, de todo aquele sentir por inteiro de amores que não são meus, de histórias que queria ter para mim.No sábado, fui ver El amor en los tiempos del cólera, adaptação de um dos meus romances preferidos de García Márquez. Gostei! Não ficou aquele sabor que recordava do livro, de eternidade, de permanência num estado mais ou menos levitante do amor. Ganhei algumas imagens e cenários que já não recordava ou que não tinha imaginado assim.
Mas, mal pude, fui reler 'aqueles' parágrafos que tão bem recordava, que ainda me traziam memórias de umas leituras matinais à beira-mar e de umas tardes ao pôr-do-sol, no Verão que já me parece tão distante. Mas elas continuavam ali, no seu sítio, nas mesmas páginas, que recordei com imenso prazer e, ainda mais, recuperei a sensação de eternidade.
(Shakira - Pienso en ti)


