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segunda-feira, 24 de março de 2008

Sensação de eternidade

Há livros que nos marcam. Ficam as histórias de amor e de ódio, de aventuras, de sonhos, e as paisagens que se desenham na nossa imaginação e que à vezes nos assaltam. Há frases que nos acompanham para sempre, sentimentos, às vezes uma saudade imensa depois da morte, da partida após a última página. Por vezes, há um voltar atrás, um reler e reconhecer nas páginas já lidas as histórias de outrora, mas fazendo renascer em novidade os pormenores que nos escaparam. Às vezes, deixo os livros meses sem fim em cima da mesa de cabeceira, um misto de preguiça em devolvê-los ao lugar na estante e de desejo de continuar a lê-los. Outras vezes, recupero o livro e trago-o de volta ao meu mundo, para relê-lo na diagonal, as páginas direitas de que mais gosto, as da esquerda que prefiro e aquele parágrafo no meio. E que vontade dá de me apoderar de todas as palavras e frases, de todo aquele sentir por inteiro de amores que não são meus, de histórias que queria ter para mim.

No sábado, fui ver El amor en los tiempos del cólera, adaptação de um dos meus romances preferidos de García Márquez. Gostei! Não ficou aquele sabor que recordava do livro, de eternidade, de permanência num estado mais ou menos levitante do amor. Ganhei algumas imagens e cenários que já não recordava ou que não tinha imaginado assim.

Mas, mal pude, fui reler 'aqueles' parágrafos que tão bem recordava, que ainda me traziam memórias de umas leituras matinais à beira-mar e de umas tardes ao pôr-do-sol, no Verão que já me parece tão distante. Mas elas continuavam ali, no seu sítio, nas mesmas páginas, que recordei com imenso prazer e, ainda mais, recuperei a sensação de eternidade.





(Shakira - Pienso en ti)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Partilha...


Esta invernil primavera sabe bem. O fim-de-semana de acordar tarde e ver que o sol ainda lá está, sentir o cheiro da manhã. Ler na cama, enrolada entre cobertores e senti-lo entrar pela janela, esperando pelo meu definitivo acordar. Dizer bom dia ao mundo para lá da minha janela do alto.

Mas hoje, da minha janela vejo a rua, a cidade, a linha de um eléctrico que já não passa e sinto saudade desse campo tão perto e tão distante. Do cheiro da relva acabada de cortar, da terra molhada e das gotas de orvalho que nunca chego a ver. Do canto das cigarras e dos grilos, dos caminhos sem fim para lá dos montes. Um pôr do sol no pomar, sentada a ver o dia ir dormir e deixar-me levar de mão dada pelos campos de azedas, correr até mais não e deixar-me cair no fim, em frente a uma lareira quente e viva de um fogo que arde como o amor, de uma música que canta atrás de mim aquilo que não sei dizer, que não sei como, a não ser em beijos e esboços dos nossos corpos enredados. De esperar a noite escura e a brisa do fim do lume que se apaga num sopro de paixão de mais um dia que passou.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Saudades...

Em memória de uma viagem a Trevélez...
Fotografia encontrada aqui.


A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.
Henrique Maximiliano Coelho Neto - escritor brasileiro (1861-1934)

Oh Soledad, dime si algún día habrá
entre tú y el amor buena amistad.
Vuelve conmigo a dibujar las olas del mar,
dame tu mano una vez más.
(Oreja Ve van Gogh - Soledad)