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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Desencontros e reencontros...

Um 'pedido de desculpas' com 4 anos de atraso!



A vida vai correndo ao sabor das marés e das tempestades. Crescemos, engordamos e emagrecemos ou ficamos na mesma. Em cada dia, somos nós próprios e um novo nós que se renova. Desejos e sonhos desenham-se na pele e nas artérias! Há quem passe por nós e nos faça sorrir muitas tardes, muitas manhãs, muitas vezes, entre dois olhares cúmplices, nunca verdadeiramente explicados. Um dia, na encruzilhada, os olhares separam-se! Cada um segue o seu espaço e juntos percorrem o mesmo tempo! O mundo é pequeno, uma varanda à beira-mar... por isso, a meio caminho, lá nos encontramos outra vez - que bons são os reencontros!

Nota: Ao meu reencontro com o VV! Dedico-te esta música, porque foi a primeira de muitas que me escreveste nas nossas cartas!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Le facteur

Porque há comentários que merecem ser entradas...

Huckleberry Friend deixou um novo comentário na sua mensagem "Saudade de uma carta com caligrafia":

Reina, reina, quantas cartas, quantos postais, por vezes perdidos ou nunca enviados, vão aparecendo nas gavetas e nos caixotes por arrumar (ainda que a maioria esteja impecavelmente catalogada)? Não me canso de relê-las, de escrevê-las, umas para meter no correio, outras para deixar, discretamente, onde sabemos que o destinatário não pode deixar de encontrá-las... Não tenho, ao contrário do Manel, grande razão de queixa dos correios... queixo-me, como todos, da falta de cartas bem caligrafadas, por vezes com uma mancha de café ou uma paisagem desenhada ao canto. E o tempo, Manel, em que o carteiro era o único elo de ligação entre dois amantes?
Mas deixemo-nos de lamúrias: fui, recentemente, visitado por um carteiro inesperado e de identidade misteriosa. O breve telegrama que me cantou foi um bálsamo num dia não, quase como o Moustaki (linque acima) a cantar-me ao ouvido. Beijinhos!


Le jeune facteur est mort
Il n'avait que 17 ans
L'amour ne peu plus voyager, il a perdu son messager
C'est lui qui venait chaque jour
Les bras chargé de tous mes mots d'amour
C'est lui qui portait dans ces main
la fleur d'amour cueillie dans ton jardin
Il est parti, dans le ciel bleu
Comme un oiseau enfin libre et heureux
Et quand son âme la quitté
Un rossignol quelque part à chanter
Je t'aime autant que je t'aimais
mais je ne peu le dire desormais
Il à emporter avec lui
Les derniers mots que je t'avais écrit
Il n'iras plus sur les chemin
Fleuris de rose et de jasmin
Qui mènent jusqu'à ta maison
L'amour ne peu plus voyager
Il a perdu son messager
Mais mon coeur est comme en prison
Il est parti l'adolescent
qui t'aportait mes joix et mes tourments
L'hiver a tué le printemps
Tout est fini pour nous deux maintenant

NOTA: Depois de publicada, esta entrada tornou-se parte de um "Cais das Codornizes" involuntário. Aqui, pusemos Moustaki a tocar ao vivo. Já o codornizes preferiu a versão de estúdio.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Saudade de uma carta com caligrafia

Ainda há pouco tempo, passei horas a reler as cartas antigas que recebi! Foi como regressar ao passado em pedaços de papel. Relembrar histórias, amigos, amores antigos. Hoje, já quase não recebo cartas, apesar de ainda enviar algumas. Recebo alguns postais de tempos a tempos, de quem está longe ou vai passar uns dias longe. Eu gosto de escrever cartas e de mandar postais, de desenhar a caligrafia muito perfeitinha para se poder ler. De dizer onde estou, como está o tempo e contar as novidades o que vi, o que fiz, o que quero fazer! Tenho saudades dos tempos em que os postais de Natal eram imensos e se impunham em fila, em cima da cómoda, até ao dia de Reis. Gosto de escrever cartas a quem vive comigo ou mesmo a quem vive perto... Por isso gostei tanto deste excerto do livro que estou a ler (mesmo a acabar) do José Eduardo Agualusa - O Vendedor de Passados. Quem sabe não vai alguém, um dia, vender o meu passado perdido aí nessas cartas que escrevi e recebi? Espero que não...

«Meu bom amigo,espero que esta carta o encontre de excelente saúde. Bem sei que não é exactamente uma carta isto que lhe escrevo agora, mas uma mensagem electrónica. Já ninguém escreve cartas. Eu, sou-lhe sincero, sinto saudades dos tempo em que as pessoas correspondiam, trocando cartas, cartas autênticas, em bom papel, ao qual era possível acrescentar uma gota de perfume, ou juntar flores secas, penas coloridas, uma madeixa de cabelo. Sofro uma nostalgia miúda desse tempo em que o carteiro nos trazia as cartas a casa, e da alegria, do susto também, com que as recebíamos, com que as líamos, e do cuidado com que, ao responder, escolhíamos as palavras, medindo-lhes o peso, avaliando a luz e o lume que ia nelas, sentindo-lhes a fragrância, porque sabíamos que seriam depois sopesadas, estudadas, cheiradas, saboreadas, e que algumas conseguiriam, eventualmente, escapar à voragem do tempo, para serem relidas muitos anos depois.»