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sexta-feira, 16 de maio de 2008

A próxima viagem


Quase tão fascinante como a viagem em si é o planear da viagem. Andamos com borboletas na barriga até chegar o grande dia e quase não dormimos de véspera. Consigo manter a ansiedade que tinha em miúda, o contar dos dias, riscando os que já passaram no calendário. E posso passar horas a pesquisar sobre o destino. Acho que aprendi essa´arte' com o meu pai e com o meu avô! Não sou tão pouco flexível como eles, mas quase tão organizada. Aprendi de miúda, nas viagens de Verão e de Inverno, de carro, os cinco, a conhecer Portugal e Espanha! Uma história aqui, um museu ali, uma Sé acolá, sempre com datas, lendas! Eram estafantes, mas hoje sabemos que valeu a pena e temos saudades!

A alegria de um dia como o de hoje - em que se toma a decisão, marca-se o dia e os destinos e começa-se a pesquisa - é inexplicável, mesmo quando a paragem final é mesmo aqui ao lado!

O próximo destino será a Andaluzia, na Espanha da minha paixão. O pretexto é um concerto em Cádis, mas mais dias serão para poder rever paraísos, reencontrar sabores, paisagens e descobrir novos portos de abrigo. As viagens por Espanha têm sempe o sabor de 'saltimbanco louco' e o ritmo alucinante de quem não quer perder nada. Nas noites que antecedem os passeios são folhas A4 espalhadas pela cama, numa organização de roteiros gastronómicos, passeios a não perder e histórias a saber. Voltamos cansados, mas refeitos, depois de uma viagem de descoberta. A juventude ajuda a que as noites sejam longas e os dias muito preenchidos. Paragens nas paisagens que ficam na memória, como quando uma nuvem desenhou uma gaivota num pôr-do-sol em Monfragüe. Paragens no cimo dos montes, nas pousadas dos parques naturais, para um chá que aquece a alma e dá força para uma légua mais, nas esplanadas das Plazas Mayores, para um café que nos dá saudades de Portugal ou para umas tapas que nos caem sempre bem, num merecido descanso num banco de jardim, em faróis no fim do mundo a contemplar o mar que desenha só para nós um cenário de paraíso e nas praias onde quase nunca é Verão e que são, quase sempre, só nossas!

Levamos a casa às costas, a literatura por companhia e a força de quem quer ver mais e mais. Desta vez, levo a ansiedade de uma noite de concerto, desejos de gelados de leite condensado no Rayas, em Sevilha, das patatas bravas em nada iguais às tradicionais, mas maravilhosas, em El Puerto de Santa María, rodeadas de muito marisco fresco e de peixes maravilhosos, reencontros com as memórias de um passeio frio, ao fim de uma primeira tarde de Dezembro na Baía de Cádis, ou de uma estátua de Albertí, de quem comprei, depois, uma memorável antologia, em jeito de primeira cumplicidade.

Falta pouco menos de um mês, mas já entrei em contagem decrescente!

Galope
Las tierras, las tierras, las tierras de España,
las grandes, las solas, desiertas llanuras.
Galopa, cabbalo cuatralbo,
jinete del pueblo,
al sol y a la luna.

! A galopar,
a galopar,
hasta enterrarlos en el mar!

(...)
(Rafael Alberti in Capital de la Gloria, 1936/38)



(Pedro Guerra - Contamíname)

Nota: Dedico esta entrada à Madrinha, que me apresentou este 'cantautor', pretexto da minha romaria!

domingo, 9 de março de 2008

Quiero



(Pedro Guerra - Quiere)

Quiere que la quieras
Y le enseñes dónde queda
La felicidad
Quiere que la abraces y la calmes
Quiere que la dejes descansar
Quiere que sonrías
Y le cures las heridas
De la soledad

Nota: À Madrinha que, há uns tempos, me enviou um 'conselho'.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

A menina dança?

A minha sala e a minha cozinha são os meus salões de baile favoritos, onde a pista está sempre aberta até altas horas da madrugada e a música varia conforme os amores e os humores! Esta não deixa de me contaminar e foi uma das primeiras que ouvi, mal começou 2008, acompanhada de uma boa ginjinha caseira, numa pista à beira-mar. É só ganhar balanço, que a dança nasce...
'A dança' - Matisse


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Contamíname, pero no con el humo
que asfixia el aire
ven, pero sí con tus ojos y con tus bailes
ven, pero no con la rabia
en los malos sueños
ven, pero sí con los labios
que anuncian besos.

Contamíname, mézclate conmigo
que bajo mi rama tendrás abrigo,
contamíname, mézclate conmigo
que bajo mi rama tendrás abrigo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Um embrulho

Que venha o cheiro ao pó das amêndoas acabadas de partir e o das nozes ainda por secar; que venha o das vinhas que é doce e o da erva fresca dos prados. Que venha o fumo dos fumeiros e o sabor acre dos queijos. Que venha o zimbro, o sal, o mel e o azeite. Que venham figos, pães, chás, biscoitos de todo o jeito. Que venham e que matem a saudade e saciem a vontade desses sabores e ofícios de outrora...

O dizer num embrulho de um presente de que muito gostei. Obrigada, Paula e Miguel, não podiam ter escolhido melhor! Já provei a marmelada e os biscoitos, hoje talvez adormeça com um chá de lúcia lima com perpétua roxa. Como agradecimento, aqui vai uma das pirosas para o Miguel cantar à sua niña...
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(Pedro Guerra y Silvio Rodriguez - Niña)

pero no dejes
de ser la niña
que abraza
todo lo que hay en si,
pero no dejes de ver el mundo
como un espacio por compartir
Nota: Ana, vou bater o teu recorde de pôr Pedro Guerra no blogue.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

En Navidad...

Para mim já é Natal. Finalmente chegou, apesar de nas ruas se andar a dizer que já é Natal há mais ou menos dois meses. Para mim começou no Sábado, dia 1. Gosto do Natal, sou daqueles espíritos que se deixa contagiar por tudo aquilo que o Natal tem de bom: os doces, bolos, salgados e fritos, o peru e o bacalhau, a árvore recheada de enfeites e luzes coloridas, um banco em frente à lareira a escrever postais, calendários de chocolate, presépios vários que se vão coleccionando, na esperança de ter um dia daqueles meticulosamente encenados... com lagos e muitos pastores, músicas de natal nas vozes de coros de anjos, concertos nas igrejas aquecidas por essas vozes, um coração aberto a todos, um espírito natalício impossível de não me fazer feliz e uma vontade de o espalhar por todo o mundo.
Para que todos los días sean Navidad
para que cada deseo se haga realidad
para que el mundo sonría al despertar
para que se abra la puerta y no se cierre más

(ROSANA e PEDRO GUERRA - EN NAVIDAD)