quarta-feira, 9 de julho de 2008
terça-feira, 8 de julho de 2008
No escurinho do cinema
terça-feira, 29 de abril de 2008
Contagem decrescente... 2, 1, 0!
É já hoje a partida para terras do sul, mas parece que as horas não passam, que os ponteiros não avançam. É sempre assim. Quando queremos que o tempo passe, ele não passa, quando o queremos eternizar, ele acelera e corre veloz contra os nossos ventos e marés. Temos de o saber contornar, ou enfrentar de espada em punho.
Vou para a praia e para um sol que espero que não fique entre as nuvens, ou escondido em manhãs de nevoeiro. Quero a sombra da espreguiçadeira para pôr as leituras em dia, uma mesa de esplanada virada ao mar, num fim de tarde, para ressuscitar a correspondência. Os jantares no pátio num quase verão quente, ou uns jantares até quase a madrugada. E acabar a dançar numa qualquer pista até ser dia.
Bom fim-de-semana a todos e até Domingo!
(O Extremo Sul - José Miguel Wisnik, roubado à Porta do Vento, sem autorização, para comemorar um ano de ventos e brisas!)
segunda-feira, 14 de abril de 2008
A nossa orquestra
Ontem, fomos ouvir a orquestra Sächsische Staatskapelle de Dresden, no Coliseu.
Desde pequena que gosto de orquestras e só eu sei porquê! Ainda hoje tenho o mesmo olhar infantil sobre elas, talvez por causa das recordações que guardo das vezes em que as vi, com as minhas irmãs, no tempo em que íamos arrastadas!
Gosto dos maestros que dançam de batuta na mão, que fazem 'pliês' e saltitam de um lado para o outro, com o cabelo solto (nunca poderiam usar capachinho!), ligeiramente comprido, com as pontas a voar como se estivessem ao vento... quase que dão música à música que toca por trás. Gosto dos senhores e das senhoras que tocam os violinos, de arcos todos sincronizados, para um lado e para outro, com caras muito sérias e compenetradas, momento solene. Gosto dos violoncelos, porque os acho muito sensuais e sempre desejei tocar um, e dos contrabaixos, que sempre foram mais altos do que eu, ainda hoje!
Mais atrás, os 'sopros', muitas vezes tocados por homens sem bochechas suficientes para o fazer. Os magrinhos tocavam as flautas e os fagotes, os mais gordinhos as trompas, as tubas, trombones e trompetes. Era assim que imaginávamos, que comentávamos, que nos entretínhamos durante aquelas horas mais compridas da nossa infância! Depois, havia os senhores dos tambores, em cuja arte não encontrávamos muita ciência, pura ignorância da nossa infância! Havia os ferrinhos e os pratos que depois recriávamos em casa, com as tampas dos tachos e com os talheres a bater nas travessas, para grande dor de cabeça da minha Mãe!
Às vezes, um piano de cauda, muito brilhante, muito preto, e uma harpa, a 'menina dos meus olhos', de lado. Perdia-me a olhar para ela e para o dedilhar de quem a tocava...
Enfim, era assim a nossa orquestra. O meu Pai ia enumerando os instrumentos, nós íamos dormitando entre andamentos, mas batendo palmas. A minha irmã gritava 'Bravo!', a seu tempo, para grande risada nossa. O momento das palmas era a nossa alegria – já faltava menos um bocadinho para o fim! O meu Pai explicava o compositor, a orquestra, o maestro e nós íamos acenando que sim, de sorriso amarelo, com ar interessado. No fim, a célebre pergunta:
-Então, gostaram? – ao que respondíamos em coro:
- SIM! – pura mentira, que afinal aquilo tinha sido uma grande seca. As três à frente, em passo acelerado, não fosse o meu pai ter ideias de ainda querer parar em mais algum lado. E lá íamos as três, de kilt igual, meias até ao joelho e camisinha engomada a repetir o que o meu pai dizia à minha mãe e já sabíamos de cor:
- Um dia ainda hão-de dar valor a isto...
E demos, uns dias mais do que outros, umas mais do que outras, mas a verdade é que nos educaram o ouvido e é bom saber umas coisas e ter ouvido outras. Fez-nos bem!
Havia coisas que mudaríamos nesses concertos, devíamos poder bater o pé a compasso, cantarolar a música quando a sabíamos e comentar as caras dos músicos, que são bastante cómicas. Consolavam-nos os joelhos, o nosso piano portátil, para irmos tocando o que ouvíamos. Valiam-nos os ombros umas das outras para encostarmos a cabeça quando o João Pestana chegava. E valia-nos a companhia umas das outras, a troca de olhares cúmplices, os risos e gargalhadas sempre educadamente contidos e a certeza de que alguma vez, a qualquer hora, aquilo teria de acabar. Mas acabávamos por gostar. Nunca revelámos a ninguém, mas às vezes a música era boa, às vezes valia a pena, mas esse era o nosso segredo!
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Muito gostoso...
E que saudades que eu tinha desta...
Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim
O que é que eu posso fazer
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Cais das codornizes (X)
Na música, como na vida, tudo tem várias versões. Até - ou sobretudo - os sonhos, as utopias, os impossíveis que se tornam possíveis quando conjugamos diferentes ângulos de visão. Os arco-íris que surgem quando deixamos que o sol atravesse a gota d'água, e que depois percorremos à procura de um caldeirão de ouro. Para lá de um desses improváveis arco-íris está o dueto póstumo que podem ouvir no cais: Katie Melua e Eva Cassidy cantam Somewhere over the rainbow, embora esta última tenha morrido quando a primeira era criança. No codornizes, a versão original, a d'O feiticeiro de Oz, cantada por Judy Garland.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Sensação de eternidade
Há livros que nos marcam. Ficam as histórias de amor e de ódio, de aventuras, de sonhos, e as paisagens que se desenham na nossa imaginação e que à vezes nos assaltam. Há frases que nos acompanham para sempre, sentimentos, às vezes uma saudade imensa depois da morte, da partida após a última página. Por vezes, há um voltar atrás, um reler e reconhecer nas páginas já lidas as histórias de outrora, mas fazendo renascer em novidade os pormenores que nos escaparam. Às vezes, deixo os livros meses sem fim em cima da mesa de cabeceira, um misto de preguiça em devolvê-los ao lugar na estante e de desejo de continuar a lê-los. Outras vezes, recupero o livro e trago-o de volta ao meu mundo, para relê-lo na diagonal, as páginas direitas de que mais gosto, as da esquerda que prefiro e aquele parágrafo no meio. E que vontade dá de me apoderar de todas as palavras e frases, de todo aquele sentir por inteiro de amores que não são meus, de histórias que queria ter para mim.No sábado, fui ver El amor en los tiempos del cólera, adaptação de um dos meus romances preferidos de García Márquez. Gostei! Não ficou aquele sabor que recordava do livro, de eternidade, de permanência num estado mais ou menos levitante do amor. Ganhei algumas imagens e cenários que já não recordava ou que não tinha imaginado assim.
Mas, mal pude, fui reler 'aqueles' parágrafos que tão bem recordava, que ainda me traziam memórias de umas leituras matinais à beira-mar e de umas tardes ao pôr-do-sol, no Verão que já me parece tão distante. Mas elas continuavam ali, no seu sítio, nas mesmas páginas, que recordei com imenso prazer e, ainda mais, recuperei a sensação de eternidade.
(Shakira - Pienso en ti)
sexta-feira, 21 de março de 2008
Bom dia, Primavera!
Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera,
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.
Eugénio de Andrade
(Mariza - Primavera)
quarta-feira, 19 de março de 2008
Canção de embalar
segunda-feira, 17 de março de 2008
Magic Monday
(The Bangles - Manic Monday - original video,1986)
It's just another manic Monday
I wish it was Sunday
'Cause that's my funday
My I don't have to runday
It's just another manic Monday
domingo, 16 de março de 2008
Tributo
Aos amigos com quem contamos nas horas a preto e branco e nos dias de arco-íris.
(Dionne Warwick & Friends - That's What Friends Are For)
Keep smiling, keep shining
Knowing you can always count on me, for sure
That's what friends are for
For good times and bad times
I'll be on your side forever more
That's what friends are for
sexta-feira, 14 de março de 2008
'O poder de um sorriso'
quarta-feira, 12 de março de 2008
A cantar com um taxista
Se ele vem, eu vou!
Se ele vem, eu vou!
19 de Julho de 2008 - no Passeio Marítimo
Sou apaixonada por esta voz... muito mesmo. Lembra-me sempre um baloiço de jardim e uma voz que o cantava só para mim, em tardes de Primavera, num dormitar ao pôr-do-sol. Lembro-me desta voz vinda de dentro das prateleiras de uma biblioteca, enquanto dançávamos e jogávamos snooker, dando corridas à lareira para nos aquecerermos e voltarmos para dançar mais. Lembra-me os sorrisos, os olhares, de uma noite num quadradinho da minha sala ainda cheia de caixotes, numa longa valsa - momento de perfeita eternidade.
domingo, 9 de março de 2008
Quiero
Quiere que la quieras
Y le enseñes dónde queda
La felicidad
Quiere que la abraces y la calmes
Quiere que la dejes descansar
Quiere que sonrías
Y le cures las heridas
De la soledad
Nota: À Madrinha que, há uns tempos, me enviou um 'conselho'.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Boa semana
(Shower the People - James Taylor)
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Bom fim-de-semana
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Soube-me a amar

Hoje saí para almoçar e não voltei. Desliguei o telemóvel, entrei no carro e pus-me a caminho do mar. Pelo caminho, abri as janelas de par em par e pus a Flauta Mágica a tocar, com o volume no máximo, para que a flauta calasse o burburinho da cidade.
Cheguei ao mar e nele reflectia o imenso sol brilhante. Desci à praia, descalça, como se querem os pés na areia, transformei as minhas calças cigarrilha nuns corsários e lancei-me à beira-mar.
Durante horas, percorri-a para um lado e para o outro, saltitando e fugindo da ondas de maré cheia. Perfeito momento de egoísmo, de encontro do eu com o eu, sem os barulhos do dia, os silêncios da noite e a agitação do pensamento. Só eu. Os pés frios foram ganhando o calor dos passos pequenos, enterrados na areia acabada de molhar e o pouco vento que fazia, foi sendo brisa musical. Ao fundo as rochas, os outros, os surfistas, o mundo... mas ali era só eu. E sabem a imensidão os passeios pelo mar, sabem a poesia e eternidade. E hoje, esta tarde... soube-me a amar.
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.
Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.
Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.
(Manuel Bandeira)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Castanhos-leão?
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Devo-te um sorriso
Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
(Eugénio de Andrade)




