Hoje é o dia por que esperamos desde Janeiro - o do concerto de Moustaki no CCB! Dizem as 'más línguas' que está velho e canta mais devagar, mas acreditamos que conservará toda a magia das suas músicas! Passado um fim-de-semana a recordar as músicas da nossa vida, entre viagens para aqui e para ali, hoje vai ser ao vivo, um reviver em gestos, em olhares, um poeta de cumplicidades, de fins de tarde espalhados pelas viagens ou em terraços altos nos fins-de-semana. Esperamo-lo vivo, enérgico e com aquela voz a que nos habituou, num concerto que nos vai ficar a pairar na memória por muitos anos. O Cais recorda o concerto no Olympia, em 2000, e o codornizes o do Dejazet, em 1987, com a música Il est trop tard. Mas nunca é tarde para ouvir Georges!
Com o fim-de-semana à porta, a sugestão é partir em busca de um sítio mágico. Um lugar que se torne o centro da Terra, uma fonte de vida, o começo do infinito. Um recanto escondido onde só se possa ser feliz. Nestas coisas, nada como prescrutar as origens. Se o Cais das Codornizes nasceu com Tes gestes cantado por Moustaki e Reggiani, ouçamo-los de novo. Serge no codornizes, Georges no cais. Em busca do paraíso...
Entre cais e codornizes, temos seis irmãos - três manas e três manos. Fazem um corte transversal na pirâmide etária: são adultos, adolescentes e crianças. Têm semelhanças entre si e connosco, mas, sobretudo, personalidades vincadas e singulares. É a eles e a elas que dedicamos a esta Maninha, porque os irmãos estão sempre lá para nós, a recordar canções e a afastar papões. Como não podia deixar de ser, escolhemos versões cantadas por irmãos: Caetano e Bethânia para a Sofia, Chico e Miúcha para o Pedro.
Na música, como na vida, tudo tem várias versões. Até - ou sobretudo - os sonhos, as utopias, os impossíveis que se tornam possíveis quando conjugamos diferentes ângulos de visão. Os arco-íris que surgem quando deixamos que o sol atravesse a gota d'água, e que depois percorremos à procura de um caldeirão de ouro. Para lá de um desses improváveis arco-íris está o dueto póstumo que podem ouvir no cais: Katie Melua e Eva Cassidy cantam Somewhere over the rainbow, embora esta última tenha morrido quando a primeira era criança. No codornizes, a versão original, a d'O feiticeiro de Oz, cantada por Judy Garland.
Já é dia de Reis! A quadra natalícia está mesmo a chegar ao fim. E tenho tanta pena de desfazer a árvore, de desmontar os presépios e de retirar as coroas e as velas que durante mais de um mês alegraram a minha casa! Para o ano há mais! Os presentes já não estão debaixo do abeto. Hoje, abrimos os últimos, que trocamos todos os anos, por esta data, celebrando o Dia de Reis, seguindo a tradição da nossa costela espanhola! Este ano recebi presentes maravilhosos, quase tudo aquilo que escrevi na carta ao Pai Natal! E não sei se merecia todos! Hoje de manhã havia um desejo que ainda não tinha realizado! Havia uma coisa que já tinha pedido nos anos, depois no Natal... mas, presente após presente, ela nunca apareceu! Esta noite, o Rei Mago mais generoso seguiu a estrela mais brilhante, chegou à minha casa e deixou o meu desejo no presépio: uns sapatos lindos, com uma cunha de madeira de vinte centímetros (exagero!). Foi o melhor presente desta quadra... Obrigada!
Como agradecimento, dedico ao meu Rei Mago a música mais irritante do Natal espanhol!
O Natal são muitos dias... para nós, começou no início de Dezembro e só acaba amanhã, dia em que chegam os Reis Magos. Este ano, os presentes têm sido repartidos ao longo da quadra. Ainda esta tarde chegaram mais alguns. A música tem de ser, por isso, The twelve days of Christmas (apesar de o nosso Natal ter durado mais de um mês...). O codornizes escolhe a versão original, na interpretação de John Denver com os Marretas. O meu cais apresenta uma recriação pelas princesas da Disney.
A nossa casa, Amor, a nossa casa!, é um poema de Florbela Espanca que tem servido de mote a muitas conversas e a alguns poemas. Hoje, dá início a uma Micro-Narrativa que foi comentário aqui.
A nossa casa, Amor, pode ser numa árvore, pode ser à beira-mar, pode ser num barco em alto mar. Mas a morada do Amor é sempre um coração apaixonado! É o teu dentro que só eu conheço, é o suspiro do desejo que desenha os alicerces e cria raíz. A nossa casa, Amor, é feita dos braços e dos abraços dos nossos corpos, entrelaçados em telhado, protegendo das intempéries que possam vir. Abraça mais, para a chuva não entrar; abraça mais, para o vento não deitar nada abaixo! A nossa casa, Amor, somos nós, construída pelas chamas do Amor entre dois sopros do respirar.
A todos um Bom Natal, com a música When a child is born, cantada por Charles Aznavour, Plácido Domingo, Sissel Kyrkjebo e Josep Carreras, no codornizes, e pelo Saint Philips Boys Choir, no Cais.
Agora que a meia noite se vai aproximando, os desejos de Natal vão ficando mais claros. Por isso, esta noite canta-se All I want for Christmas is you. O meu cais escolheu a versão original de Mariah Carey. No codornizes ouve-se a do filme Love actually, cantada por Olivia Olson, que tinha então 11 anos.
'Cause I just want you here tonight Holding on to me so tight What more can I do Baby all I want for Christmas is you
Durante esta quadra natalícia, o Cais das Codornizes só vai passar música de Natal. Às vezes é difícil escolher apenas duas versões, mas vai ser bom partilhar este gosto musical. Estas músicas que só ouvimos em Dezembro têm o condão de criar um cenário maravilhoso, por vezes até parece que neva... vamos lá à primeira, muito especial, habitualmente cantada a duas vozes, as nossas, em viagens de carro, estrada fora. Winter Wonderland cantada pela Macy Gray no Cais e pelos Eurythmics no codornizes.
Acabei de receber um presente que andava há uns meses a namorar... e quando se namora muito, quando se quer muito, as coisas acontecem. Apareceu bem embrulhadinho e os livros, quando vêm embrulhados, são uma preciosidade. Mas que se rasgue o papel depressa e que se puxe de lá de dentro essa surpresa... e eis que era ela, a Antologia Poética de Cecília Meireles.
A proposta de hoje é Sisters of mercy, de Leonard Cohen. No codornizes, a versão original, n'o meu cais, uma interpretação céltica de Sting com os Chieftains.
Huckleberry Friend deixou um novo comentário na sua mensagem "Saudade de uma carta com caligrafia":
Reina, reina, quantas cartas, quantos postais, por vezes perdidos ou nunca enviados, vão aparecendo nas gavetas e nos caixotes por arrumar (ainda que a maioria esteja impecavelmente catalogada)? Não me canso de relê-las, de escrevê-las, umas para meter no correio, outras para deixar, discretamente, onde sabemos que o destinatário não pode deixar de encontrá-las... Não tenho, ao contrário do Manel, grande razão de queixa dos correios... queixo-me, como todos, da falta de cartas bem caligrafadas, por vezes com uma mancha de café ou uma paisagem desenhada ao canto. E o tempo, Manel, em que o carteiro era o único elo de ligação entre dois amantes?
Mas deixemo-nos de lamúrias: fui, recentemente, visitado por um carteiro inesperado e de identidade misteriosa. O breve telegrama que me cantou foi um bálsamo num dia não, quase como o Moustaki (linque acima) a cantar-me ao ouvido. Beijinhos!
Le jeune facteur est mort
Il n'avait que 17 ans
L'amour ne peu plus voyager, il a perdu son messager
C'est lui qui venait chaque jour
Les bras chargé de tous mes mots d'amour
C'est lui qui portait dans ces main
la fleur d'amour cueillie dans ton jardin
Il est parti, dans le ciel bleu
Comme un oiseau enfin libre et heureux
Et quand son âme la quitté
Un rossignol quelque part à chanter
Je t'aime autant que je t'aimais
mais je ne peu le dire desormais
Il à emporter avec lui
Les derniers mots que je t'avais écrit
Il n'iras plus sur les chemin
Fleuris de rose et de jasmin
Qui mènent jusqu'à ta maison
L'amour ne peu plus voyager
Il a perdu son messager
Mais mon coeur est comme en prison
Il est parti l'adolescent
qui t'aportait mes joix et mes tourments
L'hiver a tué le printemps
Tout est fini pour nous deux maintenant
NOTA: Depois de publicada, esta entrada tornou-se parte de um "Cais das Codornizes" involuntário. Aqui, pusemos Moustaki a tocar ao vivo. Já o codornizes preferiu a versão de estúdio.
À primeira vista é uma música de Chico César,que lembramos cantada pela Daniela Mercury, no seu Feijão com Arroz (1996). Mais recentemente, descobrimo-la cantada por Pedro Guerra num dueto com o autor... en bilingüe!
A voz da Daniela lembra as tardes de Verão, ao pôr-do-sol, num pátio virado à Berlenga... a versão do Pedro e do Chico recorda os últimos serões românticos e algumas danças de princípio de noite.
Quando o olho brilhou, entendi, Quando criei asas, voei Quando me chamou, eu vim Quando dei por mim, estava aqui Quando lhe achei, me perdi Quando vi você, me apaixonei
Nasce hoje uma rúbrica interblogueira - o cais das codornizes. A ideia nasceu a propósito da música Tes Gestes, que o meu cais e o codornizes publicaram em duas versões.
Nesse dia, ouvimos Georges Moustaki e Serge Reggiani. Hoje, o cais volta a Moustaki e Barbara canta no codornizes. A música é La ligne droite. Esperem por mais duetos...