quarta-feira, 9 de abril de 2008

Sem título

Era manhã e era chuva que caía sem parar, lá fora, do outro lado da janela. Era semana, queria antes o seu fim, para poder ficar a ver passar o dia, por entre as gotas presas na janela. Dia cinzento claro, como se tivessem pousado um véu sobre o sol. As árvores e a relva prateadas de gotas de chuva, caídas e perpetuadas em gotículas minúsculas, mas infinitas, porque o sol não as vem beber. Quero a madrugada inaugural, quero a manhã luzidia da Primavera que adormeceu nas suas tardes de sol e se deixou embalar pela melodia da chuva que cai sem parar. Às vezes, o sol abre um olho aqui, outro ali, e deixa que um pequeno raio atravesse a terra, bata numa janela, ilumine uma madeixa, reacenda uma paixão. Ínfimo raio de vida, que me alimenta e faz renascer para a manhã que nos espera, com a melodia do orvalho.

Quero o sol ameno da Primavera, o meio-dia quente com cheiro a quase-Verão e as tardes de passeio sob as árvores a começar em flor, brancas, amarelas, cor-de-rosa e ao fundo o horizonte a maresia. Quero as noites de mar ainda revolto, pousada sobre a rocha, fim do dia em melancolia de ilusões. Quero a madrugada infinita do amor e da paixão, da loucura, até um amanhã que nunca sabemos como irá acordar.

4 comentários:

Huckleberry Friend disse...

Que texto lindo... deu-me vontade de estar atento para não perder nenhuma chance de piscar um olho ao sol, por entre as gotas que keep falling on my head! Muitos beijinhos, um por cada pingo de chuva na tua janela.

MariaV disse...

Bem..., a poesia instalou-se mesmo na vossa casa!
Beijos grandes

Sofia disse...

Huck, preferia que fosse fim-de-semana e que visse a chuva na janela do Toxofal, mas estou a ver que tenho de esperar até Domingo!

um beijo

MariaV, a poesia anda sempre a passear por lá, claro! Desde o acordar ao deitar!

beijinhos

tcl disse...

:-)