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quinta-feira, 13 de março de 2008

Melodia Matinal (II)

Fossem todas as manhãs como a de hoje, eu era feliz.



(Elton John - Blue Eyes)

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Cais das codornizes (II)


À primeira vista é uma música de Chico César, que lembramos cantada pela Daniela Mercury, no seu Feijão com Arroz (1996). Mais recentemente, descobrimo-la cantada por Pedro Guerra num dueto com o autor... en bilingüe!

A voz da Daniela lembra as tardes de Verão, ao pôr-do-sol, num pátio virado à Berlenga... a versão do Pedro e do Chico recorda os últimos serões românticos e algumas danças de princípio de noite.



Quando o olho brilhou, entendi,
Quando criei asas, voei
Quando me chamou, eu vim
Quando dei por mim, estava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Sé que volveremos...


Madrid parece já estar tão longe e ainda ontem chegámos. Foram quatro dias memoráveis. Embora o Outono lá arrefeça os corpos, coisa que já vi que por cá continua sem o fazer, consolou-me aquele sol brilhante do Jardim del Buen Retiro e da Plaza Mayor, que aquece qualquer coração.

Mas Madrid tem sempre aquele encanto, aquela alegria de chegar mais uma vez… acho que pela oitava! E desfrutar, sem pressas, sem horários, sem compromissos… quase como pairar sobre a cidade, vendo tudo e todos, fazer parte, entrelaçar entre as ruas do Lavapiés, calquinhar o barrio de Salamanca cheio de niños pijos, acabados de sair da missa dominical, entrar e sair das tiendas em que nos dê ganas , procurar meticulosamente os sítios de almoço e de jantar, e de tapeo… Encontrar a a minha tia e ter o prazer de almoçarmos juntos… comer pulpo, calamares, tortilla e pimientos padrón – unos picán otros no! Jantar com os amigos, em casa, com a lareira, bom vino e muitas anchoas… uns amigos que nos recebem sempre bem!

Querer ver tudo e estar em tudo… viver como madrileños até tarde, mas acordar cedo, seguindo a velha máxima de que deitar tarde e cedo erguer dá para ver tudo! Andar a desoras da maioria dos transeuntes - ir ao Prado de madrugada e levar o pequeno-almoço para a cola, levar sempre o El País para poder ter algo que leer, beber muito vermouth de grifo em qualquer sítio, mas melhor que seja no Anciano Rey de los Vinos, onde põem umas tapas óptimas, mas onde não resisto às bravas. Nos entretantos, ir fazendo uma lista mental de tudo aquilo que temos de comer e onde, para não deixar passar nada! Beber muitas copas e comer muitas tapas, passear muito até não poder mais e descansar nuns braços abertos ao som de música cubana. Tentar acabar a noite com um chocolate quente e churros, mas não resistir a mais um mojito, para dar forças para o caminho de casa. Mas ainda dá tempo de dançar no meio da Plaza Mayor a Balade pour Adeline, que alguém toca numa espécie de xilofone, passar os dias a ser perseguido pelas Feuilles mortes e achar que isso é uma coincidência feliz. Subir à cúpula da catedral e ver Madrid de cima, como um voo da codorniz, sobrevoando a Plaza de Oriente, mesmo em frente Palácio Real, e pousar sobre um banco do jardim entre duas estátuas de anteriores reis, não conseguindo imaginar que estas tenham podido estar, originalmente, no telhado do palácio. Mas saber que o melhor de tudo é dançar La vie en Rose e fazer poesias ao vento...

Arranjar os dois últimos bilhetes para o musical dos Mecano e cantar as músicas todas, ou pelo menos as que sabemos! Perceber que a loucura da movida madrileña é contagiante e que se pode aguentar se forem quatro noites e mesmo assim acordo a cantar 'Hoy no me puedo levantar, el fin de semana me dejo fatal; toda la noche sin dormir, bebiendo, fumando y sin parar de reir…' O que nos leva a beber Campari con Naranja no intervalo enquanto Nacho Cano (él mismo!) nos dá um autógrafo! Mas ter a certeza que é possível seguir outros motes e 'hacer lo que podamos por cenar perdiz', no Botín. Não deixando por isso de resistir às croquetas e às almejas… quase à meia-noite, com o restaurante quase privado, sem ter reserva mas ter um sorriso que conquista qualquer camarero e que não fez a desfeita a esta niña!
Antes disso ainda aproveitar um chiringuito aberto e tapear um pouco mais, uma cecina de León (ai que saudades das Castilla e León!) e una tapa de bacalao con aceite de oliva, se bem que ainda haja uns sortudos a quem regalan una tapa de cabrales!

Passar horas na exposição da Paula Rego a ver cada pormenor em cada quadro que nos arrepia, porque há sempre um pormenor que confrange e que destrói a candura de alguns contornos e gestos. A presença do elemento animal, metáfora de uma animalidade maior do ser humano, mas também máscara para uma realidade demasiado dura. A pintora diz que resulta mais com rostos animais. Adorar os estudos dos quadros, por ser tudo mais pequenino, até aquilo que nos perturba. Gostar do quadro do Baile, mas gostar mais ainda dos estudos para esse quadro e de saber como Paula Rego o foi criando, e de o saber pela voz dela. Saber que a seguir ainda podemos subir e ver Dalí e Miró, passar só para ver aqueles de que gostamos mais! Comprar todos os postais de todos os quadros que me encantan e oferecê-los a quem me encanta também! São pinturas com poesias dentro…

Subir a Castellana até à Fundaccion Canal, mesmo ao lado das torres inclinadas só para ver a exposição – Ocultos - una exposiccion preciosa cujo mote é: 'Si la cara es el espejo del alma, no existe nada tan corporal, tan carnal como el culo'. Vale pelas imagens e por toda a disposição das fotografias, com uma decoração particular, merecedora de elogios e de visita!
Saber que antes de voltar para casa, ainda há tempo para ir ao Círculo e ver os Momentos Estelares - la fotografia do século XX, uma parte de uma grande exposição de fotografia, muito bem organizada e bem explicada, para os menos entendidos na história da fotografia!

E no fim, a melancolia do regresso, sem deixar de passar pelos sítios onde fomos felizes… em quase todos… em Madrid...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A primeira chuva

A primeira chuva de Outono apanha-nos sempre desprevenidos: a roupa por apanhar, as sandálias, aquela camisa de manga curta... enfim, nada que não se possa resolver! Finalmente, parece que o Outono chegou! E estou contente com isso, gosto de ver o andar das estações, de ver as folhas cair e de ver as pereiras em flor, mas agora gosto de ter frio! Já uso a mantinha e, mais dia menos dia, hei-de usar o saco de água quente para me aquecer os pés! O dia está tristonho e cinzento, apetece ficar em casa a beber chá e a comer 'paizinhos' (receita da avó Hortense), enrolada numa manta a ver filmes, ou a ler um livro e a ouvir discos de vinil... Sabe tão bem... Mas não, a vida real chama-nos e pede-nos para trabalhar! Enfim, lá terá de ser! Mas nada melhor do que recordações. Deixo-vos um poema de que me lembrei hoje e que inaugurou a minha manhã, acompanhado de uma fotografia de um pôr-do-sol de Outono, no último Domingo... ainda a recordar o fim-de-semana romântico, a braços com panelas de doce!
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Ondas que descansam no seu gesto nupcial
abrem-se caem
amorosamente sobre os próprios lábios
e a areia
ancas verdes violetas na violência viva
rumor do ilimite na gravidez da água
sussurros gritos minerais inércia magnífica
volúpia de agonia movimentos de amor
morte em cada onda sublevação inaugural
abre-se o corpo que ama na consciência nua
e o corpo é o instante nunca mais e sempre
ó seios e nuvens que na areia se despenham
ó vento anterior ao vento
ó cabeças espumosas
ó silêncio sobre o estrépito de amorosas explosões
ó eternidade do mar ensimesmado unânime
em amor e desamor de anónimos amplexos
múltiplo e uno nas suas baixelas cintilante
só mar ó presença ondulada do infinito
ó retorno incessante da paixão frigidíssima
ó violenta indolência sempre longínqua sempre ausente
ó catedral profunda que desmoronando-se permanece!
(António Ramos Rosa - Facilidade do Ar - Lisboa, Caminho, 1990)

domingo, 21 de outubro de 2007

Uma romã no Outono

Ainda a tentar ter um Outono, mesmo que ele só me aconteça ao fim da tarde, ou num passeio pelo campo a pisar as folhas já secas dos plátanos, a verdade é que já sinto a brisa mais fria de um tempo mais frio! Ainda bem, à noite pode-se acender a lareira, mesmo que seja só por capricho, mas vale a pena queimar o 'gesto' de que falava Camões e deixarmo-nos perder nesta atmosfera ainda dúbia! Mais uma fruta de Outono, esta para comer à medida que o tempo passa e, se for no campo, melhor, porque aqui o tempo passa infinitamente mais devagar, como se não passasse.

A romã tem uma importância milenar, associada ao amor, à paixão e à fecundidade, aparece desde os textos bíblicos. Os gregos tomaram-na como símbolo do amor e da fecundidade e consagraram a sua árvore a Afrodite, pois acreditavam nos seus poderes afrodisíacos. Eu adoro romãs, demoram a descascar, mas vale a pena... semente a semente, vamo-nos enchendo de amor!

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ratatouille romântico...

Sugestão romântica:



Estou em maré de amores e de romantismos, por isso, a sugestão de hoje vai para um jantar a dois, à luz das velas, a comer com pauzinhos, de um só prato. Nada mais intimista... quanto à ementa, fica ao vosso critério. Eu escolhi ratatouille, para variar...


quinta-feira, 4 de outubro de 2007

"Preciso de ti como de pão para a boca!"

Hoje tenho vontade de falar de romantismos. Por isso, deixo-vos com uma imagem onde se pode ler: "Preciso de ti como de... para a boca!"
Mas já que falamos de romantismos, sem querer quebrar a magia, acrescento um excerto do Livro do Desassossego de Fernando Pessoa, assinado pelo seu semi-heterónimo Bernardo Soares (ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa). Para que se saiba que o amor feliz não é uma utopia, apenas uma (in)constante busca pela felicidade. É um alerta aos apaixonados!


"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."