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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Hoje é o dia


‘Hoje é o dia’ é o nome de mais uma campanha da Nicola, a marca de cafés e dos Encontros Perfeitos. Na nossa vida, surpreendemo-nos muitas vezes com esta promessa de um dia fazermos ‘isto ou aquilo’, mas a vida vai passando e ‘isto ou aquilo’ fica para trás! São os desejos adiados, os sonhos esquecidos... Enfim, e se seguirmos o conselho?

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Água da Índia

Uma viúva deve sofrer até à sua morte, ser comedida e casta; A mulher virtuosa que se mantém casta após a morte do marido irá para o céu; Uma mulher infiel ao seu marido renasce no ventre de um chacal.’
(As Leis de Manu, capítulo 5, versículo 156-161, Dharamshastras)

A terceira parte da trilogia cinematográfica dos Elementos - os anteriores foram "Fogo" (1996) e "Terra" (1998) -, "Água" (2006), retrata a vida das viúvas na Índia na década de 1930, assim como a condição das mulheres e o esmagamento da sua dignidade. Dizem os Shastras que uma mulher é metade do seu marido, enquanto ele está vivo. E quando o marido morre, as mulheres também ‘meio-morrem’, logo, uma meia-morta não poderá sentir dor. Mas a verdade vem da boca da pequena Chuyia, que ficou viúva com apenas oito anos, sem nunca ter conhecido o marido, mas proibida de voltar a casar. A sua condição de viúva reflecte-se no estigma do cabelo rapado e nas privações económicas com que vivem as viúvas. Mas é ela quem representa, de certo modo, uma evolução que vinha sendo anunciada por Gandhi. É ela que diz: ‘Uma meia-morta pode sentir dor, porque ainda está meia-viva’.

Chuyia vive internada numa "ashram", uma casa de recolhimento para viúvas, onde deverá permanecer até ao fim da vida, privada das alegrias da infância. Esta personagem é, ao mesmo tempo, carismática e comovente, sempre com o seu ar inocente e um sorriso puro. A realidade que nos é apresentada é ainda mais crua quando se trata de uma criança. É uma história de extrema sensibilidade e envolvência.

Destaco o trabalho de fotografia de Giles Nuttgens e ainda a actriz Lisa Ray, no papel de Kalyani, a mais bonita de todas as viúvas.

Miguel Torga - 'Homem, Cidadão, Poeta'

Na quarta-feira, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, na Avenida de Berna, iniciou um Curso Livre sobre Miguel Torga - 'Homem, Cidadão, Poeta'. A primeira aula foi dada por Teresa Rita Lopes. Centrando-se nos Poemas Ibéricos, apresentou-nos uma leitura em contraponto com a Mensagem de Fernando Pessoa, na qual os heróis são exaltados e o além-mar visto como o caminho para o País recuperar a sua grandeza. Torga, pelo contrário, insurge-se contra esses heróis míticos, preferindo um Portugal telúrico, o da 'terra-firme', unido a Espanha, ele que se considerava um 'filho ocidental da Ibéria'. Para Torga a Nação era um corpo, mas para Pessoa era uma alma!

Deixo-vos com o programa, com esperança de que apareçam numa destas quartas, sempre às seis da tarde.


Outubro

17 A arte do conto em Miguel Torga - Lúcia Lepecki

24 O Brasil de Miguel Torga - Arnaldo Saraiva

31 O poeta - Fernando J.B. Martinho

Novembro

7 Torga e Nemésio: percursos cruzados Fátima Freitas Morna

14 Miguel Torga, Criação e Revolta - Teresa Araújo

21 O Diário de Miguel Torga ou a Melancolia de Portugal - J. A. Cardoso Bernardes

28 Torga Moralista: Fragmentos e pensamentos- Cristina Robalo Cordeiro

Dezembro

3 A ideia de poesia em Miguel Torga - V. M. Aguiar e Silva
Nota: A fotografia foi tirada pelo Pedro - um campo de azedas no Toxofal de Baixo

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Maria Lisboa

A exposição David Mourão-Ferreira e o Fado está patente até dia 31 de Outubro no Museu do Fado, em Alfama. O museu vale a pena, pela exposição permanente, onde podemos encontrar uma série de colecções de discos, cartazes, instrumentos e partituras. Apesar disso, a exposição actual vale pelo homenageado.

David Mourão-Ferreira (1927-1996), no seu percurso multifacetado enquanto poeta, ensaísta, ficcionista, jornalista, professor e tradutor, chega a todos os portugueses através da “Maria Lisboa”, da “Madrugada de Alfama”, da “Primavera”, do “Abandono”, ou do “Barco Negro”. São dele estes poemas-cantados que nos fazem sentir ainda mais lisboetas, de espírito bairrista. É com ele que sentimos a magia dos bairros de Alfama e da Mouraria, sentimos Lisboa como nossa. A alma da poesia canta no nosso peito, qualquer que seja a nossa naturalidade. Assim, recordam-se os tempos em que a poesia e o fado se encontram. A exposição apresenta "uma recriação do escritório do autor, trazendo a lume os testemunhos da obra poética que consagrou ao fado, entre manuscritos originais e letras dactilografadas, as primeiras edições discográficas que consagraram estes temas, a par de um conjunto de registos audiovisuais que ilustram as interpretações de poemas da sua autoria por Amália Rodrigues, Camané, Mariza e Cristina Branco, entre outros." Deve valer a pena.

É varina, usa chinela,
Tem movimentos de gata;
Na canastra, a caravela,
No coração, a fragata.

Em vez de corvos no xaile,
Gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
Baila no baile com o mar.


É de conchas o vestido,
Tem algas na cabeleira,
E nas velas o latido
Do motor duma traineira.


Vende sonho e maresia,
Tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria;
Seu apelido: Lisboa.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ratatouille romântico...

Sugestão romântica:



Estou em maré de amores e de romantismos, por isso, a sugestão de hoje vai para um jantar a dois, à luz das velas, a comer com pauzinhos, de um só prato. Nada mais intimista... quanto à ementa, fica ao vosso critério. Eu escolhi ratatouille, para variar...